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Cartões de Boas Festas (de outros tempos)

17-12-2013 12:20

obs: Post de 2011 atualizado

 Estamos a chegar ao Natal.

       Em épocas não muito distantes não havia e-mails, não existiam telemóveis e por isso SMS, era algo que se desconhecia.

       Nesta altura do ano começavam os CTT a ter tanto trabalho que por vezes a correspondência chegava algum tempo atrasada.

       A situação era originada pelos milhares e milhares de postais/cartões de boas festas que todos ou quase todos nós trocávamos, com a família, amigos e instituições.

 

       Na Força Aérea também acontecia o mesmo, de tal forma que por vezes os Comandos pediam às Esquadras para serem comedidas nestas trocas, pois a despesa em fotocópias e papel aumentava significativamente.

 

     O Correio na Força Aérea era quase todo transportado de avião, pelo menos entre as Bases Aéreas e o AT-1.

     O que chegava às Unidades de Lisboa e o que daqui saía para as outras Unidades no País era recebido e entregue no AT-1.

       Não sei qual o avião que antigamente fazia este transporte, mas o Cessna FTB, mais conhecido por puxa-empurra, era o que o fazia nos últimos tempos.

 

       Neste contexto, para não fugir ao tema, os Comandos das Unidades, Os Grupos, as Esquadras, as Esquadrilhas, as Secções, os Serviços, os Gabinetes, militares e civis individualmente, enviavam e recebiam as Boas Festas por correio, em cartões adquiridos, produzidos pela FAP ou então nas próprias Unidades e ou sub-unidades, estes mais ou menos elaborados.

        Para relembrar este período Festivo do ano e também esses anos do século passado, aqui ficam

 alguns exemplos de cartões produzidos e emitidos pela polícia Aérea:

 

OBS:

Os cartões são quase todos frente/verso.

Os que não estão legendados é porque desconheço quem os idealizou ou produziu.

Também não me lembro quem eram os Comandantes nalguns casos.

 

Um Excelente Natal e um Bom Ano 2015, sempre com muita saúde são os meus desejos.

COR/PA Grossinho

 

 

 Produzido na Secretaria da EPA (Comandante da EPA – TEN Grossinho)

 

(COR) TEN/PA Reis Mendonça

 

 

 Comandante da EPA (COR) TEN/PA Reis Mendonça

 

 

Comandante da EPA (COR) TEN/PA Reis Mendonça

 

 

 Idealizados e produzidos pelo CAP/PA Grossinho – Chefe do GSM e Secção de Custódia - BALUM

 

 

 Comandante da EPA – CAP/PA Francisco Mendonça

 

 

 

Cartão composto com recortes, de outros cartões, de anos anteriores – idealizado e produzido pelo CAP Grossinho – Chefe do GSM e Secção de Custódia da BALUM

 

 

 Secção Cinófila do CTA – Chefe da Secção (SAJ) PSAR/PA Teles

 

 

 Comandante da EPA – DGMFA – (MAJ) CAP/PA Maia (só frente)

 

 Comandante da EPA – (MAJ) CAP/PA Varatojo

 

 

Cartão idealizado e produzido pelo TEN Grossinho /Comte da Esquadra na BA

 

 Idealizado e produzido pelo CAP/PA Grossinho – Comte da EPA (COR) CAP/PA Filipe

 

 Cartão Idealizado e produzido pelo(CAP/PA)2SAR/PA Filipe – Comte da EPA CAP/PA Grossinho

 

 Comandante da EPA (COR) TEN/PA Reis Mendonça

 

 Comandante da EPA – (COR) CAP/PA Filipe

 

 

 

 

 

 

 

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Policia Aérea no 10 de Junho em Elvas (2013)

14-06-2013 10:15

Algumas imagens e no final um video sobre a representação da Policia Aérea no desfile militar no âmbito das comemorações do 10 de Junho realizadas em Elvas em 2013.

fotos cedidas pelo SMOR/PQ Serrano Rosa

 

Um especial agradecimento ao  Sargento Mor PQ Serrano Rosa pela cedência destas fotos.

 

Assiste ao video (PA a partir do minuto 9.00)

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PA´s Heróis - "A Minha Força Aérea - Soldados Desconhecidos… que esta Pátria não merece!"

21-11-2012 12:01

 

Excelente artigo da publicado no Blog "Rio dos Bons Sinais" por Gabriel Cavaleiro (link no final)

 

"Esta foi, sem dúvida, uma das mais extraordinárias missões da nossa Guerra do Ultramar.


Pela acção em si de resgate imediato de um Piloto abatido, pela acção do piloto do helicóptero ao aterrar no local em que ocorreu, numa das principais Bases da Frelimo no interior de Moçambique, pela preparação técnica ou falta dela dos elementos da Polícia Aérea envolvidos, sem protecção alguma no terreno, desarmados, a não ser os dois aviões T-6 que freneticamente tentavam dissuadir quaisquer hipotéticos avanços do inimigo, indiferentes ás 3 antiaéreas que poucas horas antes tinham abatido um camarada exactamente naquele local.

Dificilmente qualquer outra unidade especial de combate teria feito melhor… com 5 homens dois aviões e um helicóptero.

 

Nesta história que vos quero contar, os intervenientes não eram Soldados.
 
Nem desconhecidos.
 
Embora permaneçam no limbo das muitas coisas que hoje nos importam pouco.
 
Eram Alferes, Soldados, Tenentes, Furriéis e Sargentos. Da Polícia Aérea e Pilotos. Da Força Aérea Portuguesa.
 
Nunca vi estes factos contados, por isso os conto aqui. Para que esta memória não se perca e como homenagem ao Malaquias, um Aveirense, Tenente Piloto da Academia da Força Aérea, ao Valdemar Lobo, um Sargento Piloto natural de Cabo Verde (foi, anos depois, Piloto Chefe dos TACV), aos elementos da Polícia Aérea, com relevância para o Carlos Félix e demais pilotos milicianos intervenientes.


Prestávamos todos serviço em Moçambique, no final do ano de 1967.
 

É uma história de vários heroísmos, como tantos outros actos heróicos que uma generosa geração perdida de portugueses praticou em todo o vasto Império que éramos, honrando a História, mas que hoje parece envergonhar um país que se amparou nos ombros de tantos desses humildes Soldados Desconhecidos, tentando esquecê-los agora, incómoda memória para os ideais contemporâneos.
 
Na exacta medida em que hoje se valoriza quem, por diversas razões que não me cabe qualificar, decidiu não participar e é por isso reconhecido como tendo prestado relevantes serviços à Pátria…
 
Somos o que somos.

Vamos então ao acontecido...

No dia 14 de Outubro de 1967, na minha função de Sargento Miliciano Piloto da Força Aérea em Comissão Voluntária de Serviço em Moçambique, na Guerra do Ultramar, tive como missão fazer um RVIS (Reconhecimento Visual de possíveis posições do inimigo) no avião T-6 com matricula 1753, a partir da minha Base em Vila Cabral (Lichinga, nome actual), a capital Nortenha do Distrito do Niassa.
 


Esta missão seria executada em parelha com outro avião do mesmo tipo pilotado por um camarada, o Sarg Ajudante Eiró Gomes, num local que fica exactamente entre Vila Cabral e Marrupa. A Sul de uma pequena povoação que hoje existe e se chama Cassembe, aproximadamente na posição cujas coordenadas são:

13º 26’ 55 51” S 36º 12’ 12 85” E
 

O sítio onde o rio Luambala contorna o Monte e a povoação de Cassembe
 
Chegados ao local, cada um de nós procurou detectar, debaixo da mata densa, sinais de vida recente, nomeadamente palhotas em que o inimigo se abrigasse. Embora à vista um do outro, escolhemos aleatoriamente dois locais diferentes. Eu fui um pouco para Norte do Monte que existe a Sudeste da povoação e o meu camarada procurava mais a Sul, junto ao rio Luambala .


O nosso objectivo era bombardear posições inimigas e por isso íamos carregados com bombas, sem qualquer outro tipo de armamento, como metralhadoras ou rockets.

E por ali nos mantivemos uns dez minutos a tentar descobrir por debaixo das árvores quaisquer sinais de vida, operação nem sempre bem-sucedida porque a camuflagem era muitas vezes eficaz.

Os terrenos por onde eu andava não me pareciam ter sido minimamente alterados por ninguém. A paisagem é belíssima, como em todo o Niassa e a Natureza repousava tranquila, indiferente àquela Guerra que não merecia.

- Forte reacção Antiaérea! Estou a ser alvejado!

Ouço subitamente pela rádio o meu camarada dizer-me.

Num instante aquela beleza, a tranquilidade daquele imenso espaço em que eu voava e com o qual me sentia em comunhão, cobriu-se com um espesso e agreste manto de crueldade. E todo o meu ser acordou de súbito para a dureza dos tempos em que eu vivia.

Aquele meu camarada, que se expressava sempre com grande abundância de argumentos, talvez estivesse a exagerar... Pensei eu. Aquela zona nunca tinha sido referenciada como capaz de conter tão forte presença de elementos da Frelimo.

E como eu ainda tinha todas as bombas, voei para junto dele, a um escasso minuto de voo de mim.

Ele afastou-se, disse-me que já não tinha armamento e orientou-me para a posição que lhe parecia ser a origem de tão inesperada actividade antiaérea.

Já a sobrevoar o local indicado por ele, entre o Monte e o rio, procuro encontrar palhotas ou quaisquer outros sinais de actividade humana recente. Claro está que nada vi, e muito menos fogo de antiaérea.

Isto nos primeiros segundos… porque logo a seguir vi as tracejantes!

Tracejantes, que sulcavam rapidamente os ares na tentativa frenética de me encontrarem. Ainda hoje as vejo com toda a nitidez.

Afinal era um caso demasiado sério e eu tinha que tomar rapidamente uma decisão. Pela direcção das balas, exactamente na vertical, eu devia estar mesmo em cima dos senhores meus colegas naquela Guerra, do outro lado dos argumentos, empenhados em cortarem-me as asas.

E eles queriam-me agora, a mim, lá em baixo…

Pareceu-me (e bem, como mais tarde se verificou) que se largasse as bombas em “salvo” (todas de uma vez) alguma delas (e eram 4) ficaria muito próximo do local dos disparos. Além do mais eu era agora o único avião no local com armamento e em caso de necessidade não tinha protecção alguma.

Por baixo de mim havia uma vasta área de terreno aparentemente plano, sem floresta, entre um Monte escarpado e um rio, este sim bordejado por uma espessa mas estreita mata.

Decisão tomada, larguei-lhes as bombas em cima com o feroz desejo que fossem até à origem daquelas tracejantes que me rodeavam como formigas inquietas.

Estávamos agora os dois aviões sem armamento. Nenhum de nós estava equipado com rockets ou metralhadoras. Já não podíamos fazer mais nada.

Voltámos então às nossas Bases, como planeado.

O meu camarada a Marrupa:


 


E eu a Vila Cabral.


 


Escrito o relatório pelo meu colega mais graduado, o Estado-maior da FAP em Nampula, na ZAC (a Zona do Ar Condicionado…) deliberou que alguém devia ir investigar.

Nomearam o Tenente Malaquias.

 

Este Aveirense, sempre que ia a Vila Cabral
ia a correr a minha casa ver se a minha
filha, de menos de 3 meses de idade, estava
ou não mais bonita que a dele, 2 dias mais nova.



 

A dele ganhou sempre, aos seus olhos risonhos…
 
 



- A minha Carla está mais bonita...

Dizia invariavelmente, com a minha Margarida ao colo…


A Carla nasceu em Nampula a 24 de Julho de 1967.


 

A cidade de Nampula


Por uma coincidência estranha, 24 de Julho era o dia da Cidade de Lourenço Marques. A minha filha Margarida nasceu em Lourenço Marques no dia 22 de Julho de 1967.

24 de Julho é, ainda hoje, um dia de grande significado para todos os moçambicanos da minha geração


O Tenente Malaquias, 15 dias antes destes acontecimentos, confessara à sua mulher, Fernanda, em Nampula, ter a noção que não duraria muito mais tempo. Uma preocupação que o consumia.


Ia ser muito triste ir para debaixo da terra, confessou.
Confrontado com esta atitude, ele insistiu. Devia ser muito triste.


A sua mulher achava que ele estava a ficar com uma cor esquisita, cor de terra. Pesava 60kg e media 1,81m de altura.


 



Não queria fazer exames médicos com medo de não o deixarem voar mais. Não os fez.

Não podia ver sangue. Quando fez exames para o Ultramar desmaiou ao fazer as análises. A enfermeira, na brincadeira, disse-lhe que ele era pior que uma mulher.

Uma semana depois daquele ataque que o Eiró Gomes e eu sofremos, o Tenente Malaquias chega a Marrupa.

Na 5ª Fª anterior sobrevoou a sua casa em Nampula e despediu-se da sua mulher Fernanda e da sua filha Carla.

 

Malaquias, Carla e Fernanda, em Nampula. Agosto de 1967


A sua missão era inteirar-se do maior número possível de elementos de modo a avaliar se era necessária ou não uma operação combinada com as Forças Terrestres. Para se decidir que tipo de acção, se com tropa regular ou pelos Comandos.

E no dia 22 de Outubro, um Domingo, saiu com uma patrulha de 3 T 6. De Marrupa para aquele local, para ver o que poderia por lá haver.

Dois dias antes de a Carla fazer 3 meses.

A patrulha era comandada por ele. Nos outros dois aviões iam o Sargento Eiró Gomes e o Alferes Relego.

Este, acabado de chegar da Metrópole (Portugal Continental) após o curso de piloto miliciano, na sua 1.ª missão que poderia ser de combate. mas num avião sem rádio!

Por essa razão, o Relego foi avisado que deveria ficar “lá em cima” enquanto os outros dois iam lá abaixo “cheirar”…

Já no objectivo, cerca de 45 minutos afastados de Marrupa, o Tenente Malaquias disse pela rádio:

- Vou fazer uma passagem, eles disparam, vocês vêem e bombardeiam a origem dos disparos.

O Tenente Malaquias, um piloto destemido, estimado e admirado por todos, tinha dirigido do ar no seu T-6 uma companhia dos Comandos pouco tempo antes para o local de uma outra antiaérea, noutro sítio perto de Metangula junto ao Lago Niassa.

Nós dizíamos que ele tinha apanhado a arma “à mão” porque entrou em combate directo com eles para sinalizar a posição aos Comandos. E a antiaérea foi neutralizada.

Mas naquela manhã não foi assim.

O Tenente Malaquias entrou baixo, a ver. Na esperança de ser visto e assim desmascarar a posição do fogo inimigo.

No sopé do Monte, naquela zona plana, desmatada, junto ao rio Luambala que se serpenteava entre árvores de grande porte que já descrevi, um cenário de grande beleza, uma guarnição de atiradores estava há já uns minutos a municiar a arma.

A mesma de um conjunto de três que tão perto estivera de abater os nossos dois aviões uma semana antes. No silêncio da mata os operadores da antiaérea já tinham detectado há uns 15 minutos aqueles barulhentos aviões que se aproximavam.

Um encontro estava marcado.

Foi fácil prepararem-se. E já não era a primeira vez. Tiveram tempo para tudo.

O nº2 da parelha de T 6, o Eiró Gomes, ficou mais atrás e mais acima, como combinado para poder ter outro ângulo de visão. E o 3º elemento, o Relego, ainda mais alto, observava o desenrolar dos acontecimentos, mudo e quedo, sem comunicações rádio e ainda sem nenhuma experiência de combate.

O T-6 do Tenente Malaquias começa a sobrevoar aquele espaço quando a antiaérea isolada, no sopé do Monte à sua direita, mais adiante, já lhe estava apontada. As outras duas estavam perto uma da outra, junto ao rio, mais para a sua esquerda.

O Tenente Malaquias tinha o Monte à frente, à sua direita e o rio ao seu lado. Voava apontado a Oeste. O que via era aproximadamente isto:

 


O seu olhar procurava balas tracejantes.

E elas não se fizeram esperar!

No chão, o artilheiro com o primeiro avião sempre na mira, não hesitou. Carrega decidido uma primeira vez no gatilho e uma saraivada de balas parte em direcção do avião da frente.

O Tenente Malaquias reage e aponta as duas metralhadoras do T-6 contra ele e dispara também na tentativa de o eliminar. O Eiró Gomes, mais atrás, também dispara contra a anti-aérea.

Argumentos extremos numa luta feroz de razões opostas.

O artilheiro, experiente de outro episódio recente, frustrado, há tanto tempo preparado para aquele momento único, aguentou estoicamente, esperou pelo segundo exacto, o dedo nervosamente encostado ao gatilho da arma, as balas dos aviões a voarem a toda a sua volta, a mira a voar com o avião, o olho direito enfiado no alinhamento do T-6 da frente, a raiva de guerrilheiro controlada, o pensamento na Pátria que queria Libertar… e então apertou com um pouco mais de força, devagarinho, com toda a certeza do Mundo, aquele pequeno gatilho...

- Fui atingido!

Grita o Tenente Malaquias pela rádio, o braço direito praticamente decepado.

- Fui atingido! Nossa Senhora me valha!

As suas últimas palavras...

E o Relego, lá em cima sem ouvir nada, sem saber de nada, viu o T-6 do seu Chefe entrar pelo chão dentro e imobilizar-se numa nuvem de pó.

Sem arder.

Sem mais uma única rajada de fogo inimigo.

Não fizeram mais fogo.

 


O Sarg. Ajudante Eiró Gomes, assumindo agora a função de comandante da parelha como piloto mais antigo e qualificado juntou-se rapidamente ao Alferes Relego e fez-lhe sinal para o seguir para a Base, em Marrupa.

O Tenente Malaquias ficou naquele planalto, entregue a si, gravemente ferido, provavelmente já sem vida depois daquela “aterragem” forçada, sem possibilidade de ajuda daqueles dois que tudo viram mas nada mais podiam fazer. E os rádios dos aviões tinham um alcance limitado. Ninguém no Mundo os ouviria se pedissem socorro.

Regressados os dois a Marrupa, entregues àquele desespero, o Eiró Gomes, pela rádio ainda em voo e assim que teve contacto, pediu que se preparasse o Helicóptero para se ir recuperar o Tenente Malaquias ao mato.

 

 



E já no chão, sem esperarem por ordens superiores de ninguém, deliberaram em conjunto com todo o pessoal maior daquele Aeródromo de Manobra que tinha que se ir buscar o Tenente Malaquias.

O destacamento militar do Exército mais próximo do local do acidente, de seu nome “América”, ficava a 50km. Seria difícil executarem a missão em tempo útil.

O “pessoal maior” eram os dois Pilotos de T-6, um Piloto de Helicóptero Alouette III, o Sargento Miliciano Piloto Valdemar Lobo, o Alferes Bento da Polícia a Aérea e o Furriel Félix.

Lobo, Fernando Figueiredo e Cardoso

O Lobo, Piloto do Helicóptero, decidiu imediatamente que ia buscar o Tenente Malaquias, onde ele estivesse.

O Alferes Bento também se ofereceu e encarregou o Furriel Félix, um jovem muito alegre e brincalhão, de arranjar voluntários entre o restante pessoal para lá irem com o Lobo.

 

O Furriel Carlos Félix, meses depois destes acontecimentos

Feita a apressada ronda, o Furriel Félix só conseguiu um voluntário e ao chegar ao Alferes este perguntou-lhe:

- Quem vai connosco?

A resposta foi lenta (como é que eu lhe vou dizer?):


- O Primeiro Cabo Simplício e… eu…!

E lá partiram.

 



A pilotar o Helicóptero ia o Lobo (que dispensou o Cabo Especialista do Helicóptero para que não corresse riscos desnecessários) acompanhado dos três elementos da Polícia Aérea.
 

Helicóptero Alouette III

Como armamento levaram apenas armas ligeiras e granadas…


Recordo que os elementos da Polícia Aérea tinham a função de protecção e policiamento das unidades da Força Aérea e não tinham nenhum treino de combate na mata. Aqueles três elementos não estavam, de todo, tecnicamente preparados para o que se propunham fazer.

Dois T-6 armados com metralhadoras acompanharam o Heli não só para sinalizar o local mas também para dar a protecção ao resgate do Tenente Malaquias.

45 minutos depois, chegados ao local do acidente, a baixa altitude, o helicóptero foi levado ao sítio.

 


O Lobo localizou logo o T 6 abatido no chão e reparou que o avião tinha caído e parado, sem fazer rasto algum. Não houve, portanto, nenhuma tentativa de aterragem forçada. O trem de aterragem estava recolhido.


O terreno tinha sido anteriormente desmatado, com as árvores cortadas pela base das copas. Havia vários troncos nus, altos, com mais de 1,5m, espalhados por toda a área. Provavelmente um deles arrancou a asa direita do T-6 que ali estava feito uma máquina sem alma, provavelmente um túmulo improvisado.

O local teria sido anteriormente preparado para machambas (hortas) com as árvores cortadas e ali com muito capim já bastante alto, cerca de 2m de altura.
Era afinal um vasto largo de onde se avistavam, não muito longe, grandes palhotas escondidas que agora rente ao chão se viam bem, debaixo das grandes árvores segundo o Lobo me disse. Albergavam certamente, ou talvez já não, muita gente.

O Lobo não encontro de início um espaço seguro para aterrar o helicóptero perto do avião abatido: havia muitas árvores cortadas, com troncos bastante altos. Muito perigo para o rotor de cauda, por não se ver o que poderia haver escondido dentro daquele capim tão alto, com a agravante de não ter a preciosa ajuda do Cabo Especialista do helicóptero, impedido de ir a bordo naquela arriscada missão.

O Lobo deu outra volta e encontrou então um pequeno troço de picada e aterrou sem assistência para verificar a segurança do rotor de cauda, sempre a recear o pior.


Aterrou a 50/100m do avião abatido.

 


Lá em cima, os dois T-6 mantinham-se vigilantes, às voltas sobre eles.
O Furriel Félix antes de sair do helicóptero ainda ouviu o Sarg Ajudante Eiró Gomes, aos comandos de um dos T 6 dizer pela rádio ao Lobo:


- Ao 1º tiro ou sinal de hostilidades dos Turras sai daí!

A ameaça bem conhecida das antiaéreas não impediu ninguém de se manter ali, alvos fáceis a proteger um helicóptero acabado de aterrar, imóvel, o piloto e os três ocupantes completamente à mercê até de uma simples pistola, uma catana, relativamente perto de algumas bastante grandes palhotas dissimuladas.

Os três elementos da Polícia Aérea saltaram do helicóptero e desataram a correr, com a maca, desarmados para melhor se mexerem.

Acho que nenhum destes três jovens sabia bem o que estava a fazer mas, como dizia um camarada nosso, Oficial do Exército, “cada um tinha o Inimigo que merecia”.

Escrevi “Inimigo” com letra grande porque este Inimigo mereceu-nos também.


O Lobo tinha aterrado junto da Base Provincial de Instrução da Frelimo, soubemos depois, uma das mais importantes em Moçambique. Onde haveria dezenas de terroristas.

A verdade é que o Furriel Félix os viu perfeitamente. Eles estavam LÁ mesmo!

“Nas janelas das palhotas com os canhangulos apontados ao pessoal”, contou-me.

Expectantes e sem reacções.

Talvez paralisados pelo inacreditável da acção.

Se calhar manietados pelo espanto.

Ao ver um piloto de helicóptero aterrar calmamente no meio de uma das mais importantes bases da Frelimo com três simples polícias que, desarmados, avançavam completamente indiferentes ao que quer que os esperasse, com um único objectivo: resgatar o Tenente Malaquias abatido há um par de horas.

Ou talvez tivessem achado por bem que a Força Aérea Portuguesa, perante aquele espectáculo de heroísmo desvairado, merecia que um dos seus pilotos pudesse ser resgatado. Foi a impressão com que se ficou naquela altura.

Ou então, se calhar, talvez nunca venhamos a saber, resolveram evacuar do local à pressa a maior parte do pessoal para preservar os efectivos, com receio de represálias maiores. Afinal era uma grande Base de Instrução.

Provavelmente também terá contribuído uma hipotética neutralização da antiaérea.

Os primeiros passos ao afastarem-se do helicóptero, a terem de lutar contra o capim alto que lhes tapava a visibilidade, sem saberem o que os esperava junto ao avião derrubado, levaram à desorientação momentânea do Alferes. O Furriel Félix só conseguiu “reanima-lo” com uma saraivada de impropérios bem à moda do Porto, aos gritos, que o fizeram recuperar…

A caminhada daqueles três na direcção do T-6 abatido, no meio daquele capim, pareceu-lhes uma eternidade. E o Furriel Félix, na sua corrida atabalhoada, encontrou no chão um braço ainda enfiado na manga do fato de voo, que carregou consigo até ao corpo a que pertencia.

Ainda hoje o Carlos Félix tem insónias quando se lembra do que viu ao chegar ao avião abatido, quando aquela imagem lhe reaparece, amiúde, teimosamente:

 

"o Ten/PILAV MALAQUIAS, sentado em cima do pára-quedas a olhar para mim...


 

Palavras para quê? ...As lágrimas teimam em aparecer".
Inerte no seu posto, dentro dos destroços do avião em que executou a sua derradeira missão.

E no helicóptero, sentado no seu posto, o motor a trabalhar, as grandes pás do rotor a girar num crescente nervosismo, aquele barulho todo a soar como um Requiem naquela grande Catedral que era aquele lugar impoluto, o Lobo não tinha a mínima visibilidade. Estava rodeado de mato, capim alto quase à distância de um braço, sem horizonte algum!

Sem ver absolutamente nada!

Sem saber o que se ia passando!

E esperou.

 
Sozinho…



Lá de cima os dois aviões de segurança descobriram entretanto um guerrilheiro armado a uns 20m do helicóptero. Fizeram vários voos em picada ao local gritando pela rádio ao Lobo para sair dali porque corria perigo.


Mas ele não podia abandonar os outros três!

E esperou.

Rodeado de capim. Completamente desprotegido.

Esperou...

 

5 infindáveis minutos…


Os mais compridos 5 minutos da sua vida!

Ajudando-se mutuamente, os três elementos da Polícia Aérea, o Alferes, o Furriel e o 1º Cabo, retiraram o corpo sem vida de dentro do T-6, recolheram o material que não devia ali ficar e regressaram rapidamente ao helicóptero com a maca, onde depositaram os restos mortais do Tenente Malaquias e o pouco material recolhido.

Em cima do corpo colocaram-lhe rapidamente o braço direito. Visão terrível, confessou-me o Lobo.

Relato do então Furriel Félix numa mensagem que me enviou:

<< A história do Malaquias está contada por quem viveu parte dela pelo ar e a outra pelo que viu ou lhe contaram, a minha, é aquela que foi vivida "in loco", com um Alferes quase a desmaiar quando deixa de me ver, eu a ver os Turras a espreitar-nos e o Simplício à espera do sinal, para vir com a maca e transportarmos o Ten/PILAV Malaquias, que julgávamos vivo e que infelizmente já estava morto.
No Heli, fui o último a entrar, primeiro a maca, mais o Malaquias, entretanto o Alferes também já lá estava dentro e eu por fim. Quando conseguiram guindar-me para dentro do Heli, "aterro" em cima do já cadáver. Olho para o braço direito colocado ao contrário em cima do peito, olho para a combinação de voo e reparo nas calças levantadas, pele morena, parecia um filme de terror, passei-me dos "carretos"...

Falas da eventual pouca preparação técnica que os 3 PA's teriam para efectuar uma missão de tanto risco! É natural que sim, porém a raiva que todos sentimos por sabermos que um Oficial que ainda no dia anterior tinha estado a brincar com a sua cadela Diana... tinha sido abatido e quando o telegrafista de serviço ao posto de rádio (era de Gaia), disse a chorar que o Malaquias tinha sido abatido, ficamos em estado de choque.

É uma história que me persegue ao longo de algumas noites de insónia e que a recordo com bastante frequência, nas minhas longas noites de pesca à beira-mar. O mar é a minha válvula de escape para tudo o que passei nos longos 366 dias que passei em Marrupa.

Vá lá que também ainda estou vivo para contar, lembras-te? (dirigindo-se ao Lobo numa mensagem que me enviou para ele) Com tantos tiros dos aviões a darem-nos cobertura, tu aos zig-zagues com medo que atrás das medas de capim estivesse alguma anti-aérea e eu aos saltos para entrar no Héli. Parecia o VIETNAM. Com pouco mais de 20 anos tínhamos que estar preparados para a Guerra, a geração de hoje com 20 e muitos ainda estão com RSI! >>
O helicóptero levantou logo voo com a sua triste carga e com os cinco Ilustres Soldados Desconhecidos, um deles já cadáver, em direcção a Marrupa.


Sem nenhuma reacção do Inimigo…


Poucas horas após o resgate do corpo do Tenente Malaquias, portanto nesse mesmo Domingo, sobrevoei o local no T-6 matriculado 1780, sem de nada saber, em trânsito de Vila Cabral para Marrupa, operação já prevista anteriormente para colaborar noutras acções.


Aterrei em Marrupa antes do fim desse dia 22 de Outubro de 1967, no meio de um ambiente de cortar à faca.


 


Um dos nossos tinha sido abatido…

 

Eu em Marrupa, por essa altura



A notícia já chegara via rádio a Nampula e o Aeródromo já estava reforçado em pilotos mais graduados para tomar conta da situação.


A operação há muito planeada em que eu devia participar integrado no grupo dos meus camaradas de Marrupa tinha início exactamente ao raiar do dia seguinte, 23 de Outubro de 1967, razão pela qual todos nós pilotos ficámos impedidos de ir velar o corpo do Tenente Malaquias à Vila de Marrupa, a poucos quilómetros dali.

Na altura pareceu-me um tanto inconcebível…

Como a minha consciência mo pedia, “fugi” literalmente do AM (Aeródromo de Manobra) num jeep do Exército e fui estar uns momentos com ele, nessa noite ainda, na sua câmara ardente, muito perto da casa onde o meu Pai, a minha Mãe a minha irmã mais nova e eu tínhamos vivido uns seis anos antes.

O meu Pai foi Administrador de Marrupa em 1961/62. E foi ele que construiu ali uma pista que mais tarde seria o AM.

Já não sei, mas enquanto ali estive, sem mais ninguém no local, não me lembro se numa capela ou numa sala de aula de uma pequena escola primária, a urna sobre uns bancos, devo ter-lhe falado das nossas filhas que várias vezes se tinham “encontrado”, sem nunca se terem visto.

E de como eu o admirava e profundamente lamentava a sua sorte e a da sua família. No fundo senti-me bem por ter representado os sentimentos de todos os pilotos da Força Aérea que não podiam estar ali.

Foi a pequena e sentida homenagem que ele tanto merecia. Como bom português, lembro-me que não o saudei militarmente. Nem me lembrei... Afinal, ali estava agora o Homem, mais que o Militar.

Nem fui ver a casa em que vivi com os meus Pais, pela última vez em que estivemos todos juntos.

Marrupa tem para mim este estigma de felicidade temperada com saudade, distância e tragédia. A lonjura daquilo que amamos e perdemos subitamente, sem retorno.

Onde perdi definitivamente a minha convivência em família. Nunca mais vivi sob o mesmo tecto com o meu Pai.

E onde outra família se perdeu, irremediavelmente, para todo o sempre.

O condutor anónimo do Jeep do Exército que me levou ficou à porta à minha espera e levou-me logo de volta à Base.

Um grande gesto de nobre solidariedade. Obrigado amigo.

 


Na madrugada seguinte, ao nascer do Sol estávamos já a descolar em direcção ao objectivo que devíamos eliminar.

Nessa operação, eu fui o Nº 2 a bombardear a posição sinalizada pelo Nº1, o Eiró Gomes. E quando já ia em voo picado, olhos no sítio onde queria depositar a minha 1ª bomba, ouvi-o dizer após ter largado a sua:

Antiaérea!

Larguei a bomba no sítio, mas não vi nenhuma reacção do inimigo.

Uma semana depois disto, o combate recomeçou no local onde o Tenente Malaquias fora abatido. Junto àquele Monte onde já 8 aviões e um helicóptero, no espaço de uma semana, se tinham encontrado num diálogo tenebroso que tinha que ser acabado!

Desta vez fui eu o encarregue de mostrar a uma Companhia do Exército o sítio exacto das antiaéreas. Tinham-se deslocado por terra, previamente, para o local aproximado mas precisavam de um sinal que lhes indicasse uma posição mais concreta.

Sinais óbvios de que a operação não estava a ser conduzida pelos Comandos…

Como já disse, as antiaéreas eram 3. Duas no fim da clareira, junto ao rio e outra mais longe, no sopé do Monte.

Era a terceira vez que voava por ali e da primeira tinha sido um alvo falhado, por pouco...

Tinha uma ideia mais ou menos precisa do sítio onde estariam as duas antiaéreas mais perto do rio.

E preparei-me para o que me esperava. Teria de avançar sozinho e aparecer sem ser identificado para não espantar os homens das antiaéreas. Os outros aviões apareceriam logo de seguida, mas numa manobra de diversão de modo a permitir ao Exército progredir sem perigo de os bombardearmos.

Se voasse alto talvez escapasse às tracejantes. Mas quanto mais alto maior seria a indefinição da área a sinalizar, tendo em conta que as comunicações rádio entre aviões e Exército funcionavam normalmente muito mal.

A meia altura eu seria certamente um alvo fácil o que muito provavelmente de nada serviria a ninguém, a não ser ao inimigo.

Por incrível que pareça, todas estas conjecturas se deram na minha cabeça no momento exacto de ter de executar a minha missão. Não houve instruções prévias de como executar aquela missão. Foi só:

 

“- Vais mostrar o sítio aos gajos”…

Pareceu-me que o mais baixo possível seria a melhor solução. Além do “factor surpresa”, eles teriam pouco tempo para se prepararem por não saberem de onde eu vinha e o ângulo de tiro seria demasiado baixo. E se disparassem denunciariam a sua posição ao nosso Exército.

Sendo assim, decidi apontar de longe ao sítio provável, baixei ao nível das árvores, meti motor a fundo e no sítio exacto fiz uma volta apertada, a subir.

Os camaradas em terra perceberam onde era… mesmo sem ninguém ter disparado contra mim.

E não mais nos contactaram.

Ainda nos mantivemos por perto uns minutos e regressámos depois a Marrupa.

Viemos depois a saber que as antiaéreas foram todas apanhadas!

As bombas que eu largara 15 dias antes tinham caído muito perto das duas armas mais próximas uma da outra, junto ao rio, segundo o relato dos camaradas do Exército.

Havia estragos visíveis.

A arma que atingira o Malaquias deveria ter sido a da base do Monte, já que estava à sua direita durante a aproximação quando foi atingido no braço direito.

Pois bem, destes factos nem uma palavra mais foi ouvida... na altura.

A guerra não podia parar e todos os dias novos episódios nos esperavam a todos.

Não sei pormenores sobre o que teria acontecido mais tarde, muito mais tarde, mas ouvi dizer, sem confirmação, que um elemento da Polícia Aérea se suicidou, anos depois, já na disponibilidade, na sua terra.

Quando resolvi contar esta história procurei documentar-me melhor e tentei contactar o ex-Sargento Piloto Miliciano Lobo em Cabo Verde através de procura na Blogosfera e Facebook.

Pedi ajuda ao ex-Capitão Piloto Aviador António Mira Godinho, meu amigo desde 1967.

Pedi também ajuda ao Ex-Alferes Piloto Miliciano Cardoso Ferreira, meu amigo desde 1967 e mais tarde meu colega na TAP, que obteve a colaboração também do Ex-Alferes Piloto Miliciano Relego.

Consegui chegar à fala com o Lobo através da sua simpática mulher, Rita, via Skype, onde me contou a história com os fidedignos pormenores que aqui divulgo.

Fiquei então a saber que a Força Aérea lhe reconheceu o mérito tendo sido duplamente louvado: pelo A.B. 5 em Nampula e pela 3ª região Aérea, Moçambique.

Na net procurei também chegar a familiares do Tenente Malaquias.

No Google escrevi o seu nome e na 6ª ou 7ª página depois, encontrei uma referência positiva: o seu nome é o de uma das ruas principais da Freguesia de Aradas, Concelho de Aveiro, a Sul da Cidade, de onde era natural.

 
A rua fica bem no centro de Aradas e perto da Junta de Freguesia


No site da Junta de Freguesia de Aradas mandei um email ao Presidente da Junta, David Paiva Martins, que me respondeu:

“Caro Sr. Cavaleiro:

O Tenente Malaquias é de facto o que foi morto em combate em Moçambique em 22 de Outubro de 1967. Consigo, voou; comigo, foi amigo de infância.
Como hoje não consegui falar com a sua viúva, contactá-la-ei na próxima semana e indicar-lhe-ei o seu número de telefone para que ela, se quiser, possa falar consigo.
Os meus melhores cumprimentos.

David Paiva Martins
Presidente da Junta de Freguesia de Aradas”

A viúva do Tenente Malaquias contactou-me dias depois e falámos longamente.

Entre outras coisas fiquei a saber que na pequena Capela do Cemitério de Aradas que mandou construir para que ele repouse em Paz, todos os anos vai lá um ex-militar no dia 1 de Novembro estar com ele uns momentos.
Será um dos membros da Polícia Aérea de Marrupa? Sei que o Carlos Félix não é.

Vamos ter de confirmar no próximo dia 1 de Novembro de 2012 …

Como remate conto-vos que o Lobo me disse que o Comte de Esquadra da BA5 na altura, Moura de Carvalho, lhe quis dar uma repreensão por ter arriscado material e vidas no resgate do corpo do Malaquias. Facto confirmado pelo ex-Furriel Félix que estava convencido, ainda agora, que o Lobo tinha sido castigado com 5 dias de detenção…

Por seu lado a viúva do Tenente Malaquias disse-me que o mesmo Moura de Carvalho director da Academia da Força Aérea por volta de 1987, nos 20 anos da sua morte deu o nome do Tenente Malaquias ao Curso da Academia, em cerimónia em que ela esteve também presente.

O Furriel Carlos Ferreira Félix, entretanto já 2º Sargento, foi distinguido com o Prémio Governador-Geral de Moçambique por esta acção. O Governador-Geral de Moçambique da altura era Marcelo Rebelo de Sousa, Pai do actual Concelheiro de Estado e Deputado do PSD.

Foi também agraciado pela Força Aérea como a foto seguinte mostra num recorte de um jornal da época:

 

A legenda da foto é a seguinte:


<< Prémio Governador-Geral de Moçambique>> - O Secretário de Estado da Aeronáutica, brigadeiro Fernando Alberto de Oliveira, recebeu no seu gabinete o 2º sargento PA Carlos Ferreira Félix, distinguido com o <<Prémio Governador-Geral de Moçambique>>, por acções de campanha. O louvor que lhe foi conferido refere que se ofereceu como voluntário para tomar parte na missão de recuperação de um piloto e material que fosse possível, apesar de saber que o avião tinha caído numa área fortemente infestada de terroristas, que seria diminuta a força transportada no helicóptero e que as forças do exército se encontravam longe da área, para poderem dar qualquer protecção. A audaciosa missão foi levada a efeito com êxito a que não foi estranha a bravura, decisão energia e sangue frio deste graduado como auxiliar directo do chefe da missão. O Secretário de Estado da Aeronáutica felicitou o 2º sargento Ferreira Félix e teve palavras de muito apreço pela forma como tem sabido cumprir a sua comissão de serviço no Ultramar, com verdadeiro espírito de sacrifício, verdadeiro exemplo para camaradas e subordinados. O 2º sargento Ferreira Félix foi também recebido pelo Chefe de Estado Maior da Força Aérea, general Brilhante Paiva, de quem recebeu, igualmente, vivas felicitações. >>

O Carlos Ferreira Félix seguiu depois a carreira Militar tendo passado à Reserva depois de estar 12 anos na Base Nato de Ovar como Oficial de Segurança Nato e da Força Aérea, no posto de Capitão da Polícia Aérea.


E para que se perceba melhor porque é que considero estes Heróis Soldados Desconhecidos, digo-vos a título de exemplo que o Lobo, que foi português durante 35 anos até à independência de Cabo Verde, 10 anos piloto da Força Aérea Portuguesa, com 2 anos de comissão na Guerra do Ultramar, louvado assim:

> Pelo Comandante do AB 5 (Nampula) por proposta do Comandante da Esquadra Operacional, porque durante os dois anos que serviu no AB 5, se ter revelado um piloto muito competente e muito sensato na maneira como desempenhou as mais diversas missões operacionais, quer em DO 27, quer em Alouette-II e Alouette-III. Piloto muitíssimo hábil, o seu sangue frio, coragem e capacidade de decisão ficaram bem patentes quando, com risco da própria vida, recuperou um camarada seu que se despenhou no desempenho de uma missão na zona operacional. Piloto muitíssimo hábil, calmo e discreto, o 2º Sargento Lobo primou sempre pela execução das cerca de 500 missões operacionais que efectuou em helicóptero algumas das quais debaixo de fogo inimigo, e em que sempre se mostrou corajoso e consciente da missão do dever. A sua acção na Província foi altamente honrosa, do que resultou prestígio para a Força Aérea (OS Nº 28 de 2 de FEV 1968 do AB 5).

e assim:

> Pelo Comandante da 3ª R. Aérea (Moçambique) porque no dia 22 de Outubro de 1967 ao ter conhecimento que tinha sido abatido o avião do Comandante do AM 62, se prontificou como voluntário para tentar recuperar o piloto e o material que fosse possível, utilizando o helicóptero por ele pilotado, apesar de saber que o avião tinha caído numa área fortemente infestada pelos terroristas poderosamente armados e que as nossas forças de terra mais próximas se encontravam a cerca de 50km de distância e contando apenas com a protecção de uma parelha de T-6, tendo levado a efeito a sua arriscada missão nas imediações do inimigo, demonstrando com a sua acção elevado dote de coragem, sangue frio e grande desprezo pelo perigo. Militar de muito valor profissional, de notável espírito de iniciativa e cooperação, aliando a estas qualidades muita modéstia e simplicidade que mais as realçam e o tornam um elemento digno do maior apreço e admiração de todos os seus camaradas e superiores (OS Nº 020, de 15 FEV68, do COMRA 3 e OS Nº 49, de 27 FEV 68, do AB 5),


dizia eu para que se perceba melhor porque é que considero estes Heróis Soldados Desconhecidos, o Lobo pediu há tempos a Dupla Nacionalidade.

- Foi-lhe recusada!

“Ditosa pátria que tal filho teve!”

Disse Camões sobre D. Nuno Álvares Pereira, no Canto VIII

Desgraçada pátria que tal filho renega!

Digo eu…

Ao tenente Malaquias foi, obviamente, atribuída uma Cruz de Guerra de 1ª classe.


 

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E para rematar esta estória...

Cerca de um ano depois destes trágicos acontecimentos, estava o meu amigo Tenente Mira Godinho em Marrupa quando o avisaram que o guerrilheiro da Frelimo que tinha abatido o Tenente Malaquias tinha sido apanhado, provavelmente pela PIDE. E estava preso.

Naturalmente a vontade de descarregar toda a raiva sobre aquele homem acompanhou o Mira Godinho até à sua presença.

Ali estava o homem que abatera o colega e muito amigo Malaquias!

À sua frente!

A grande raiva, a vontade de desforra, de vingança, toda a mágoa contida prestes a explodir se desvaneceu perante um homem como ele. Um simples e humilde ser humano que combatia como nós. Um inimigo indefeso feito prisioneiro.

O Tó Mira Godinho, como os amigos o conhecem, saloio (da zona Oeste dos "saloios") não conseguiu sentir mais nada senão compreensão perante aquele homem que tinha feito o mesmo que nós, combater pelo que acreditava.

Exigiu que o prisioneiro não fosse maltratado e deu-lhe um maço de cigarros e uma Coca Cola.

Contrariamente ao que se conta, o homem não tinha sido mutilado durante aquele combate. Uma única bala tinha atingido somente o punho da sua antiaérea.

E foi graças a esta história que um amigo que a leu, o Olegário Guerreiro Silva alertou o Carlos Félix para entrar em contacto comigo para me dar a sua versão dos factos, o que me levou a refazê-la toda de modo a tentar aproximá-la o mais possível da verdade

 
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Com um pouco de reconstituição da História, espero ter dado um vislumbre do que tantos milhares de portugueses fizeram em 13 anos de guerra, dos enormes sacrifícios porque alguns passaram, alguns trocando a própria vida pela dignificação dos valores que nos ensinaram pagando assim tributo a tantos heróis que povoam os mais de 800 anos de Portugal.

Valeu a pena?

A sensação que muitos de nós teremos é que não...

Aquilo que vivemos parece ter sido atirado contra nós e outros valores emergiram.

Eu não disse Mais Altos.

Disse só outros...

A História de Portugal é uma coisa chata, esquecida, desvalorizada e que até parece que começou no dia 5 de Outubro de 1910.

Ou em 1974...

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Outras fotos da época:

 

Cap Mantovani, Ten Malaquias e Alf Aidos        


 

Da dtª para a esq, Ten Malaquias, Cap Mantovani e outros não identificados
 
 
 
Escudeiro e Ten Malaquias




 

Ten Malaquias e Alf Firmino Paixão
 
 
Um interessante documento histórico:
 
Nesta foto, com o barrete na cabeça, está o ex- Presidente da República, General Ramalho Eanes, na altura colocado em Tenente Valadim.


 


Cap Mantovani, Gen Ramalho Eanes, Ten Malaquias e Alf Aidos
Capa do Jornal do Liceu Nacional de Aveiro, 1969...
 


 

...com a homenagem ao Ilustre ex-aluno Manuel Malaquias de Oliveira


 

O Lobo e eu, na Piscina do Ferroviário, em Nampula. 1967            
O Sarg Brochado em 1º plano, o Alf Relego, eu e o controlador de tráfego Aéreo de Vila Cabral    
 


Fotos actuais do Lobo com a sua mulher Rita Spencer:


 


 


 





 

O Carlos Félix hoje com o produto de mais uma noite de insónia

 

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Ao ler esta história e depois de ver estas últimas fotografias do Lobo, o Carlos Félix ainda me pediu para lhe transmitir estas palavras:
 

<< Para o Lobo amigo um abraço apertado de amizade, quem te viu e quem te vê, tás velhote, mas com um rosto sereno e uns olhos de Paz, com a certeza ABSOLUTA DO DEVER CUMPRIDO, eu diria, para além do DEVER, pois fizeste a evacuação sem autorização do comando da 3ª Região Aérea (Lourenço Marques), e até hoje estava plenamente convencido que tinhas sido punido com 5 dias de detenção. Vá lá que também ainda estou vivo para contar, lembras-te? Com tantos tiros dos aviões a darem-nos cobertura, tu aos zig-zagues com medo que atrás das medas de capim estivesse alguma anti-aérea e eu aos saltos para entrar no Héli. Parecia O VIETNAM. Com pouco mais de 20 anos tínhamos que estar preparados para a Guerra, a geração de hoje com 20 e muitos ainda estão com RSI! >>
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As fotos aqui exposta pertencem, umas ao meu arquivo, outras colhidas na net ou enviadas pela Viúva do Ten Malaquias, Srª D. Fernanda, ou pela mulher do Lobo, Srª D. Rita Spencer Lobo, ou por fim ao Carlos Félix, a quem muito agradeço.

Obrigado Lobo pela contida descrição do que viveu (contida como ele sempre foi) ao Tó Mira Godinho pela identificação dos retratados junto ao Ten Malaquias e outras importantes correcções e actualizações. Obrigado também ao Cardoso e ao Relego pelos elementos cedidos. Finalmente obrigado ao Carlos Félix pelo relato impressionante do que viveu e ainda hoje o magoa.

Que ao menos as tuas noites de insónia te tragam a compensação de um bom almoço de peixe bem grelhado..."

 

in Blog "Rio dos Bons Sinais"

 

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FARDAMENTO UTILIZADO PELA PA NOS ANOS 70/80 do SÉC. XX

03-05-2012 00:30

 

Como se pode verificar pelas fotos era possível ao pessoal da Polícia Aérea envergar diversos uniformes, de acordo com as situações e o clima.

 

As fotografias foram tiradas na Base Aérea Nº 6 – Montijo. Já não me lembro quem são os modelos. Solicito a quem os identificar que informe para o mail mencionado na página de abertura do SITE.

Se estiver alguma coisa incorrecta é favor pronunciarem-se.

TC Grossinho

 

 

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ESQUADRA DE POLÍCIA AÉREA BASE AÉREA Nº 4 – (ilha Terceira) AÇORES

01-03-2012 15:37

ESQUADRA DE POLÍCIA AÉREA BASE AÉREA Nº 4 – (ilha Terceira) AÇORES 

Divisa

Vitam Impendere Vero – Consagrar a vida à verdade

 

HISTÓRIA

            A Base Aérea Nº 4 (BA 4) é provavelmente entre as actuais Unidades da Força Aérea uma das que reúne a mais longa tradição de actividade da Polícia Aérea.

            Na Ordem de Serviço da unidade de 31 de Maio de 1955 pode encontrar-se no seu artº 10º -Polícia Aeronáutica:

  1. Que, a partir de amanhã, é criado um Corpo de Polícia destinado ao serviço de guarnição e vigilância da base (…).
  2. Que, a partir de amanhã, fica a cargo da PA:

1º - O serviço de guarda ao Quartel de Santa Rita;

2º - O serviço de guarda ao Posto de Polícia nº 2;

3º - O serviço de vigilância e ronda na Base.

            Este Corpo de Polícia, constituído por 1 Oficial, 1 Sargento, 10 Cabos e 22 Soldados, é o primeiro antepassado da actual EPA do CAA/BA4.

            Antes, a segurança da Base era da responsabilidade da GNR e num período entre 1957 e 1961 foi da responsabilidade da Polícia Militar, através de um Esquadrão do Regimento de Lanceiros nº2 – Lisboa, destacado para o efeito.

            Em finais de 1961, começa de novo a processar-se a transição de funções para pessoal da Força Aérea (FAP), primeiro não especializado, mas a partir de 1963 já com preparação técnica específica, ministrada na Base Aérea Nº 3 – Tancos.

            A subunidade de PA constituía então uma Esquadrilha, a EPDP – Esquadrilha de Polícia e Defesa Próxima, estatuto que durou até à reorganização funcional da FAP imposta pelo Regulamento das Bases Aéreas (RFA 305-1).

            A sua estrutura orgânica era a seguinte:

Verificava-se assim que a unidade orgânica em que assentava o serviço da PA eram as Equipas, constituídas por 10 ou 11 elementos e chefiadas por Sargentos.

O número de equipas variava entre 4 e 6 e asseguravam o serviço por turnos, por rotatividade, piquete de 24H00 e ainda uma para instrução e treino.

Para além das equipas existia o pessoal que garantia os serviços administrativos, com horário fixo e a equipa de serviços especiais que não tinha horário mas que estava sempre disponível para trabalhar com as outras secções, principalmente com a Secção de Investigação.

 

Surgiu assim a EPA (Esquadra de Polícia Aérea) com o seguinte Organograma:

 

Obs: Para quem conhecia o RFA 305-1 (A) verifica que existem algumas discrepâncias entre a Organização da EPA/BA 4 e aquele. Tal, deveu-se ao facto da Esquadra depender directamente do Comando e não do Grupo de Apoio e ainda o agrupamento em duas Esquadrilhas justificado pela necessidade de descentralização que o enorme volume de trabalho e de solicitações impunham ao Comandante de Esquadra. A Secção de Trânsito independente, impôs-se pela necessidade de controlar o número elevado de tráfego na Unidade e a necessidade permanente de o controlar e fiscalizar.

 

            A EPA da BA 4 para além de assegurar a Segurança à Base e ao Comando Aéreo dos Açores também tem de o fazer ao Contingente Americano e seus apoios, como por exemplo, Clubes, cantinas, supermercados, snack-bares, ginásios, etc.

O aeródromo com um elevado movimento de aeronaves civis e militares, com dois terminais militares e um civil, também tem a segurança a cargo da Polícia Aérea.

Pelo resto da ilha Terceira os pontos sensíveis de apoio à Base, cuja segurança não pode ser descurada, também são assegurados pela PA.

Esta Esquadra PA tem lidado diariamente com problemas, desde a sua origem, que qualquer esquadra ou posto policial de uma pequena cidade também lidam. A razão desta situação tem a ver com a comunidade Americana e Portuguesa que vivem nas centenas de habitações existentes no interior da Base, com a entrada e circulação permanente de táxis, autocarros e viaturas civis e ainda centenas de trabalhadores civis ao serviço da força americana e portuguesa.

 

COMANDANTES  DA EPDP e  ESQUADRA DE POLÍCIA AÉREA

 

TENENTE   SG   ALMÉRIO FURTADO DE SIMAS BELÉM                    - OUT68       (COMte DA EPDP)

TEN MIL   SG/PA  JOSÉ DE CARVALHO FERNANDES     OUT 68  –  ABR76       (COMte DA EPDP)

MAJOR      PARAQ.  RESENDE      ABR76 – 14SET78      (COMte DA EPDP)

MAJOR     TMAEQ    HELIO ANTÓNIO DOS SANTOS  BETTENCOURT     15SET78 – 28OUT79    (COMte DA EPDP) 

 22OUT80 – 28FEV83

MAJOR       PA  MANUEL PEREIRA DE CARVALHO    17NOV83 – 29SET86

MAJOR       PA  MANUEL NEIVA VIANA       30SET86 – 26SET88

MAJOr       PA   ANTÓNIO JOÃO RUSSO CASSUS       27SET88 – 20AGO90

MAJOR       PA   LUÍS FILIPE RODRIGUES PEREIRA      21AGO90 - 25FEV97

CAPITÃO   PA    CARLOS FERNANDO DE ARAÚJO JORGE     25FEV97 - 10JUL97

MAJOR       PA  JOAQUIM MARIA LEITÃO DOS SANTOS      11JUL97 - 20JAN98

CAPITÃO   PA   MANUEL MOREIRA SOARES       21JAN98 – 31MAR98

MAJOR       PA  JORGE AUGUSTO FRAGA MARTINS MAIO     01ABR98 - 14DEZ99

MAJOR       PA  ROGÉRIO MANUEL RAMALHETE INÁCIO    15DEZ99 - 21AGO01

CAPITÃO   PA  MANUEL MOREIRA SOARES     22AGO90 - 114OUT01

MAJOR       PA JORGE BERNARDES GONÇALVES    15OUT01 - 26NOV03

MAJOR       PA ANTÓNIO MANUEL FERNANDES DA  SILVA   27NOV03 - 27JAN04

CAPITÃO   PA  JOSÉ ANTÓNIO MONTEIRO VICENTE   28JAN04 - 06JUN04

MAJOR      PA MANUEL MOREIRA SOARES    07JUN04 - 07JAN09

MAJOR      PA ANTÓNIO FRANCISCO PEREIRA DOS SANTOS   08JAN09 - 18OUT10

MAJOR      PA VENTURA LUIS ALVES SANTANA    18OUT10 - 06MAI11 

CAPITÃO  PA  MARCO FERREIRA     06MAI11 -

 

 

Particularidades:

Na BA 4, devido ao estacionamento de militares americanos, existe também um destacamento da “Polícia Aérea Americana”, SFS (Security Forces Squadron) ou apenas SF. Assim, embora a segurança seja da responsabilidade da PA, existem situações em que têm de coexistir elementos das duas forças.

Existe uma patrulha mista, chamada patrulha Lima, com um PA e um elemento SF.

Na guarnição do posto 1 (um) também já existiu um elemento da SF a fazer serviço.

O Centro Coordenador de Segurança, antigo CCDT e ainda antes, o “controlista” no Comando da EPDP, também mantém contacto permanente com o SFS.

 

            Missões especiais de Segurança ao longo dos tempos:

Em 13 de Dezembro de 1971, Cimeira Presidencial entre os Presidentes Americano, Richard Nixon e Francês, Georges Pompidou, com a presença do Presidente do Conselho de Ministros Português, Prof. Marcelo Caetano.

Em Junho de 1974, Cimeira entre os Presidentes Português, Spínola e Americano, Nixon.

De 16 a 20 Março de 2003, Cimeira das Lajes, entre o Presidente Americano, George W. Busch e os 1ºs ministros de Inglaterra e Espanha, Tony Blair e José Maria Aznar, com a presença do 1º Ministro Português, Durão Barroso, aquando da decisão de invadir o Iraque.

 

Curiosidades:

Em 1968 o Comandante da EPDP (TEN MIL/SG/PA Carvalho Fernandes) conseguiu junto do então Comandante da Base, COR PILAV Teles Pereira, transformar o Bar da PA (uma barraca) num Clube da Polícia Aérea, juntando para o efeito 3 barracas, uma nova e duas reconstruídas. Na sua Inauguração estiveram presentes artistas portugueses entre os quais Fernanda Baptista.

 

O Campo de Futebol da Base, foi remodelado e recebeu relva por iniciativa do comandante da EPDP, CAP MIL SG/PA Carvalho Fernandes, tendo todo o trabalho sido efectuado por Oficiais PA, Sargentos PA e Praças PA, colocados na EPDP entre Janeiro e Agosto de 1972. Ajudaram de diversas formas os empreiteiros Toste, Leite e Madureira, assim como um funcionário civil dos americanos, Sr. Ezequiel.

 

O BOINA AZUL - Boletim informativo da Polícia Aérea nos Açores - Em 1980 foi iniciada a publicação deste Boletim, o qual ajudou a cimentar a coesão e o espírito de corpo entre os PA colocados nos Açores, era um espaço de expressão da capacidade e da vitalidade da EPA do CAA/BA4, como muito bem definiu em Editorial o MAJ/PA Viana no nº de Janeiro a Junho de 1988.                              

 

 

Campeonato de tiro do CPA, em Maio de 1988 realizou-se na BA2/OTA o 1º campeonato de tiro das subunidades da Polícia Aérea, a equipa da EPA/BA4 foi a vencedora com os:

TEN/PA João Afonso

FUR/PA Carlos Dias

SOLD/PA José Fernandes

SOLD/PA Rodrigo Rocha

 

FLÂMULA DA ESQUADRA

 

 

DESCRIÇÃO:

Fendida de negro e vermelho, uma asa com nove penas, a parte superior termina com um ferrão de escorpião e a inferior termina com uma luva sustentando um montante, sendo tudo perfilado a ouro.

SIMBOLOGIA:

O negro simboliza a firmeza e a honestidade.

O vermelho simboliza o ardor bélico e a força, representa a autoridade para o exercício da função específica da Polícia Aérea.

O perfil a ouro simboliza a fortaleza, a constância e a nobreza.

A luva simboliza a segurança, o ferrão de escorpião simboliza a defesa e o montante simboliza o policiamento, em conjunto representam as três principais missões da Polícia Aérea. Asd nove penas simbolizam as nove ilhas do Arquipélago dos Açores.

 

GALERIA FOTOGRÁFICA:

17 de Fevereiro, nas Lajes,

a cerimónia de entrega de três viaturas à Polícia Aérea.

Pela primeira vez, as forças de segurança nacionais da BA4 receberam viaturas especialmente caracterizadas para a realização de patrulhas em áreas militares urbanas fora da unidade, segundo conceitos de atribuição e de emprego únicos na Força Aérea.

 

fonte: http://epaba4.com.sapo.pt/home/index.htm)

(MAJ)CAP PA  Jorge Freire recebe como lembrança,

um prato com o brasão da EPA/BA4, por ocasião de um estágio PA efectuado na BA 4

Condor em exercicio

 posto 1

A EPA ainda no Bidon ville

 

OFICIAIS E SARGENTOS DA

EPA/BA4 - JAN2012

 

 

 

A história desta EPA foi elaborada a partir da Revista Segurança e Prontidão nº 5 e do Boina Azul nº 25.

Agradeço ainda a colaboração do Comandante da EPA/BA4 CAP PA Marco Ferreira.

Se alguém quiser contribuir de alguma forma para enriquecer esta história, desde já os meus agradecimentos.

TCOR PA Grossinho

 

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34º jantar do 1º COM/PA 1978

07-02-2012 00:48

Comemorou-se no Campo de Tiro de Alcochete o 34º Aniversário  do 1º Curso de oficiais Milicianos PA de 1978.

Organizou o evento o Comandante do CT COR/TINF (ex-PA) Delfim - 1º classificado do COM/PA 1/78.

Convidados presentes:

Ex-CENFA - General Pilav Taveira Martins

Diretor do curso - CAP (COR) PARAQ Dias Henriques

Instrutor - 1SAR (SCH) PA António Costa

Instrutor - FUR MIL PA (SMOR GNR) Bexiga

Capelão do Campo de Tiro

Estiveram presentes 23 dos 37 PA e ex-PA do COM PA 1/78.

Clique AQUI para ver as fotos

 

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Historial - ESQUADRILHA DE POLÍCIA AÉREA DO CENTRO DE FORMAÇÃO MILITAR E TÉCNICA DA FORÇA AÉREA – OTA (ex-BA 2)

04-10-2011 16:59

Historial do CFMTFA - OTA- (ex-BA2)

ESQUADRILHA DE POLÍCIA AÉREA

DO CENTRO DE FORMAÇÃO MILITAR E TÉCNICA DA FORÇA AÉREA – OTA (ex-BA 2)

RESUMO HISTÓRICO

 

 

         Embora se conheça a existência da Polícia Aérea no Centro de Formação Militar e Técnica da Força Aérea (CFMTFA) – OTA, desde os anos 60, quando a designação deste Centro ainda era Base Aérea Nº 2 (Base da OTA), são poucos os vestígios que documentam e testemunham a actividade da P.A. nessa época.

     Nos anos 70 o Comando e Secretaria da Esquadrilha de Polícia e Defesa Próxima (EPDP) situavam-se num exíguo espaço adjacente ao GOD da Base, sem quaisquer condições de trabalho, limitando-se a uma sala onde funcionavam todos os serviços da Esquadrilha.

     Nestes anos estiveram Oficiais e Sargentos à frente da P.A., a maior parte dos quais não possuía qualquer qualificação específica PA.

      Em 1978 com a colocação de oficiais provenientes do 1º Curso de Oficiais Milicianos (COM/PA) a Esquadrilha adquiriu nova dinâmica.

     Segundo o que se conseguiu apurar foi em 1979 que aparecem os primeiros planeamentos e horários de instrução para o pessoal da EPDP.

     Em 1980 o Comando da Base cede algumas das instalações, as que ainda hoje são ocupadas, para onde passam o Comando e a Secretaria da Esquadrilha.

     É também em 1980 que se inicia a construção da secção cinófila, com oito canis. Os canis estavam no interior da zona dos paióis.

     Começava então a desenhar-se o esqueleto do que viria a ser a Esquadrilha de Polícia Aérea, da Base Aérea Nº 2, designação que foi adquirida neste ano.

     Os anos 81/82, foram férteis em alterações e evoluções, quer na organização da Esquadrilha quer ao nível de infra-estruturas. O edifício onde se situava a Secretaria e o Comando da Esquadrilha foi entregue na sua totalidade à PA, onde foram criados diversos gabinetes e áreas funcionais.

     Em 1982 com a aprovação dos novos módulos de efectivos de pessoal e com a reorganização das Bases Aéreas a Esquadrilha de Polícia Aérea foi elevada à condição de Esquadra de Polícia Aérea. Nesta altura são iniciadas as obras para a criação do Centro Coordenador de Defesa Terrestre (CCDT).

     O CCDT entrou em funcionamento nos primeiros meses de 1983, passando as responsabilidades de Segurança e Defesa da Base, quase na sua totalidade para a Esquadra de Polícia Aérea. Ressalva-se que os militares em formação e muitas outras Praças, nesta altura, ainda faziam Serviço de Reforço à Segurança e Defesa da Base, como Sentinelas. Por esta razão a Segurança não ficou logo afecta exclusivamente à PA.

     A partir de 1983 foram cimentadas as bases que foram lançadas, sendo a PA da Base Aérea Nº2 chamada a intervir em diversos campos, tais como: Guardas de Honra, Escoltas, Exercícios, Honras Fúnebres, Rondas e Reforço de Segurança no exterior, etc..

          Em 1986 o Organograma da EPA era o seguinte:

 

Em 1992 com a alteração da designação da Base Aérea nº2 para Centro de Formação Militar e Técnica da Força Aérea (CFMTFA) a Esquadra de Polícia Aérea voltou à sua condição anterior de Esquadrilha de Polícia Aérea.

 

COMANDANTES DE ESQUADRILHA/ESQUADRA

 

CAP Martins

ALF/MIL PA  João Eduardo de M Barata Costa Afonso NOV81 a JUN 82

TEN/MIL PA  João Carlos Chambel Gervásio JUN 82 a SET 82

CAP/PA  António João Russo Cassus SET 82 a MAR 88

CAP/PA  António Macedo Alves MAR 88 a OUT 91

CAP/PA  Luis Manuel Alves da Silva Simões OUT 91 a SET 94

CAP/PA  Francisco José Alves Mendonça SET 94 a MAI 97

CAP/PA  João Manuel de Sousa Cálix JUN 97 a JUL 97

CAP/PA  Manuel da Silva Valente JUL 97 a SET 99

CAP/PA  Mário João Brás Gonçalves SET 99 a DEZ 02

TEN/RC/PA  Rui Miguel Mendes Gago de Oliveira DEZ 02 a ABR 04

 CAP     PA  Carlos Emanuel Fonseca da Eira     ABR 04 a NOV 04

 SCH     PA  Albertino Martins Ambrósio         NOV 04 a OUT 05

CAP  PA António João de Matos Silvestre Churro OUT 05 a JAN 07

TEN  PA Silvia Cristina Vitor Rodrigues da Silva                               JAN 07 a OUT 07

CAP  PA António Joaquim Pinto                  OUT 07 a JAN 11

 CAP  PA Silvia Cristina Vitor Rodrigues da Silva            Fev 11             

 

GALERIA DOS COMANDANTES 

   ps:   aguarda-se foto da CAP Silva

Brasão de Armas da Esquadra, ostentado na Flâmula, enquanto existiu a Base Aérea nº 2

Flâmula (actual) da EPA do CFMTFACURIOSIDADES:

    Em 1986 realizou-se na Base Aérea Nº 2  o  XXXVI Campeonato Mundial Militar de Tiro, o que abrigou a Esquadra PA a um esforço acrescido no âmbito da Segurança, tendo recebido elogios, nesta área, de várias origens, incluindo de Países estrangeiros participantes.

    Em  2010 foi proposto pelo Gabinete Coordenador de Segurança Militar da Força Aérea que no exercíco anual da Polícia Aérea - Vigiar e Actuar, fossem içadas bandeiras das Esquadras/Esquadrilhas presentes, no local onde o mesmo decorreu (BA Nº 11), apesar de tal não se ter verificado aqui fica a bandeira da EPA/CFMTFA.

 

 

GALERIA FOTOGRÁFICA:

Porta d`armas do CFMTFA

 

Preparação para exercicios operacionais

 

Patrulhas PA

 

Patrulhas PA

 

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TREINOS DE TIRO

 

ORIENTAÇÃO

 

PISTA de OBSTÁCULOS

 

CONTROLO de PESSOAS e VIATURAS

ESCALADA

 

Convívio entre os intervenientes nos exercícios da EPA/CFMTFA e restantes PA

 

Equipa participante num Exercício Vigiar e Actuar

 

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Breve Historial da Base Aérea Nº 2 – CFMTFA

- A Base Aérea da Ota foi criada em 31 de Dezembro de 1937 e instalada inicialmente em Alverca passando a ter em 1939, a designação de Base Aérea nº 2 (BA2).

- Foi inaugurada em 26 de Março de 1940, pertencendo à arma de Aeronáutica do Exército Português.

- Em 14 de Abril de 1940 as novas instalações, constituídas junto à povoação da Ota, são inauguradas e aí são activadas unidades operacionais com aviões "Gloster Gladiator", "Junkers JU-52" e "Junkers JU-86".

- Em Maio de 1941, as aeronaves "Mohawk"; "Aircobra"; "Wellington"; "Hurricane"; "Spitfire" e "Blenheim" - vieram reforçar os efectivos da Base Aérea nº 2.

- Parte destes aviões foram cedidos pela Inglaterra de acordo com o Tratado sobre a utilização dos Açores.

- Em Janeiro de 1953 são aumentados à carga os primeiros aviões a reacção da FAP, dois "De Havilland Vampire".

- Em 15 de Maio do mesmo ano, os primeiros 25 aviões "F-84 G Thunderjet" são aumentados à carga e tornam a BA2 a mais importante Base Aérea até ao fim da década.

- No ano de 1960 a BA2 sofreu uma transformação radical, deixando de ser uma Base Operacional para ser uma Base de Instrução.

- Em Novembro de 1976 foi criado o Centro de Instrução nº 2 (CI2), para a instrução elementar de pilotagem (com aviões Chipmunk), especialistas de radar e para a integração das escolas de formação e preparação militar técnica.

- Em 1992 a designação de Base Aérea nº2 é alterada para Centro de Formação Militar e Técnica da Força Aérea (CFMTFA), integrando o acervo que constitui o património logístico e administrativo da BA2 e CI2, assumindo todos os deveres e obrigações inerentes aos órgãos desactivados.

 

 

Agradecimentos:

Agradeço ao CAP PA Pinto e à CAP PA Sílvia Silva a contribuição dada para a elaboração deste historial.

Foi consultada a Revista Segurança e Prontidão Nº 3, de onde foram retirados muitos elementos para produzir este texto, assim como a Wikipédia.

(solicita-se a quem quiser contribuir com mais momentos históricos desta EPA o favor de nos enviar os dados/factos)

 

TCOR PA Henrique Grossinho

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Ordem Militar de Avis

01-01-2011 15:22

 

ORDEM MILITAR DE AVIS 

 



Parabéns ao Sr MAJ/PA Jorge Manuel de Oliveira Freire que foi condecorado com a Ordem Militar de Avis.

"Diário da República, 2.ª série — N.º 217 — 9 de Novembro de 2010"

A Ordem Militar de Avis é uma Ordem honorífica Portuguesa que herdou o nome da Ordem de Avis, e que é concedida para premiar altos serviços militares. É exclusivamente reservada a oficiais das Forças Armadas Portuguesas, da Guarda Nacional Republicana e da Guarda Fiscal, e ainda as unidades, órgãos, estabelecimentos e corpos militares.



AS ORDENS HONORÍFICAS PORTUGUESAS
ver
AQUI 

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Curso de Policia Aérea 1963

06-12-2010 23:56

O nosso Amigo e Camarada "Bolinhas" presenteou-nos com mais uma reliquia.

 A revista "Mais Alto" de 1963 em que um PA recebe a boina das mãos do Brig° Simão Portugal,
o 1° PA de 1963... é o "Bolinhas".

 

 

 

"Bolinhas"

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Subindo o Monsanto, o Hummer, da nossa Polícia Aérea, vai à cidade.

01-10-2010 21:58

Subindo o Monsanto, o Hummer, da nossa Polícia Aérea, vai à cidade. 

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